Descubra os Benefícios do Goji Berry

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O papel neuroprotetor de polissacarídeos do Lycium barbarum (PLB), fruta da medicina tradicional da China, tem sido mostrado por vários estudos. O Lycium barbarum possui muitos componentes bioativos, como polissacarídeos, carotenóides, flavonóides, aminoácidos, ácidos graxos e vitaminas. Estudos recentes têm demonstrado seu efeito neuroprotetor nos olhos, na sobrevida de células ganglionares da retina (CGR) em estudo realizado em modelo experimental de glaucoma, com hipertensão ocular crônica (CUI et al., 2011).

A L. barbarum tem sido utilizada historicamente como agente anti pirético, antiinflmatório e anti-senil há milhares de anos. Experimentos farmacológicos modernos mostraram que os polissacarídeos são os maiores constituintes da planta, e são responsáveis por várias importantes atividades biológicas: antioxidante, imunomodulador, antitumoral, neuroprotetora, radioprotetora, anti-diabética, hepato-protetora, anti-osteoporose e anti fadiga (JIN et al., 2013).

Ação hepatoprotetora

Estudiosos avaliaram o efeito hepatoprotetor e o mecanismo protetor dos PLB nos danos causados pela esteatose hepática não alcoólica, em modelo de ratos. Para tal, os ratos receberam uma dieta para induzir a ocorrência da esteatose hepática (EH), com ou sem PLB (1mg/Kg peso), diariamente por 8 semanas. Comparado com o controle, os ratos com EH induzida apresentaram aumento de danos no fígado, conteúdo lipídico, fibrose, estresse oxidativo, inflamação e apoptose. Em contraste, os animais tratados com PLB mostraram (1) melhora no perfil histológico do fígado e nos níveis de ácido graxo livre, (2) melhora no metabolismo lipídico, (3) redução dos fatores fibrinogênicos pela via TGF-β/SMAD, (4) melhora do estresse oxidativo pela via do citocromo P450, (5) redução dos mediadores pró-inflamatórios hepáticos e produção de quimiocinas, e (6) diminuição da apoptose hepática através de vias intrínsecas e extrínsecas dependentes de P53. Os resultados mostram que PLB é um excelente agente hepatoprotetor da esteatose hepática causada pela função metabólica anormal do fígado (XIAO et al., 2013).

figura 1Foi também avaliado o efeito protetor do PLB nos danos do fígado, induzidos por tetracloreto de carbono (CCl4). A hepatotoxicidade nos ratos foi induzida através de injeção intraperitonial de 50µL/Kg de CCl4, 2h antes da injeção os animais foram alimentados com PLB. O pré-tratamento com PLB reduziu efetivamente a necrose hepática e os níveis séricos de alanina amonitransferase, induzidos pela intoxicação com CCl4. Ocorreu também uma notável inibição da expressão de citocromo P450 e restauração dos níveis de enzimas antioxidantes. Reduziu o metabolismo de óxido nítrico e da peroxidação lipídica induzida pelo CCl4. PLB atenuou a inflamação hepática, através dos mediadores pró-inflamatórios e quimiocinas. Além disso, proporcionou a regeneração do fígado após o tratamento com a substância tóxica. O efeito protetor ocorreu também pela regulação da atividade do fator nuclear kappa-β  (XIAO et al., 2012).

Ação antioxidante

Preparações de L. barbarum possuem ação na prevenção do estresse oxidativo em humanos. Estudiosos avaliaram a hipótese de que o efeito antioxidante da planta pode ser resultado da sua habilidade em melhorar os fatores antioxidantes endógenos. Foi investigado o efeito da L. barbarum durante 30 dias, em um estudo clínico controlado por placebo. Foram incluidos no estudo 50 pacientes chineses adultos saudáveis, com 55 a 72 anos. Os marcadores antioxidantes in vivo, consistindo dos níveis séricos de superóxido dismutase (SOD), glutationa peroxidase (GSH-Px) e a peroxidação lipídica foram avaliados antes e após a intervenção com o fitoterápico. No grupo tratado, houve um aumento significativo dos marcadores antioxidantes em 8,4% de SOD e 9,9% de GSH-Px. Os resultados indicam um aumento da eficácia antioxidante em humanos pela estimulação dos fatores endógenos e sugerem que a continuação do uso por 30 dias pode ajudar a prevenir e reduzir as condições relacionadas a liberação de radicais livres (AMAGASE et al., 2009).

figura 3A suplementação diária com Goji Berry por 90 dias em um estudo realizado com idosos (entre 65 e 70 anos), que receberam 13,7g/dia ou placebo, mostrou melhora nas características da macula. Os resultados mostram que o grupo tratado com placebo apresentou hipopigmentação e acumulação de drusas moles na mácula, entretanto o grupo tratado permaneceu estável. Os níveis plasmáticos da zeaxantina e a capacidade antioxidante aumentaram significativamente no grupo tratado, em 26% e 57%, respectivamente, mas esta mudança não ocorreu no grupo placebo. Não foi relatado nenhum efeito adverso (BUCHELI et al., 2011).

Efeito anticâncer e imunomodulatório

A fruta L. barbarum, popularmente conhecida como Goji Berry, é um agente/adjuvante potencial anticâncer. Seus maiores componentes ativos, polissacarídeos do L. barbarum (PLB), escopoletina e 2-O-β-D- L- ácido ascórbico – glucopiranosil (AA-2βG), são conhecidos por possuir efeitos antiapoptóticos e antiproliferativos em linhagens de células de câncer. Além disso, PLB também contribui para melhorar os efeitos imunomodulatórios do corpo, em terapias contra o câncer. Não se sabem se existem quaisquer efeitos indesejáveis (TANG et al., 2012).

figura 4

Foi investigado o efeito da PLB na diferenciação e maturação de células dendríticas (CD) saudáveis, derivadas do sangue humano, em diferentes microambientes de tumor in vitro. Foi observado que no grupo tratado com PLB, o fenótipo molecular das CD, a sua capacidade de estimular a proliferação de linfócitos alogênicos, e os níveis de IL-12p70 e a secreção de INF-γ foram mais elevados que no grupo controle, com significância estatística. A expressão de NF-kβ das CD também foi significativamente maior nas células tratadas. Os resultados sugerem que o PLB desempenha um forte papel antitumoral e no papel de sinalização com NF-kβ (CHEN et al., 2012).

Zhu e Zhang (2012) avaliaram o efeito do PLB na proliferação de células de carcinoma cervical humana, e concluíram que esta ação é causada pela indução da apoptose através da via mitocondrial. O PLB é um potencial candidato para atuar como um potencial agente quimioterápico contra o câncer cervical humano.

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Referências:

Amagase h, Sun B, Borek C. Lycium barbarum (goji) juice improves in vivo antioxidant biomarkers in serum of healthy adults. Nutr Res. 2009 Jan; 29(1):19-25. doi: 10.1016/j.nutres.2008.11.005.

Bucheli P, Vidal K, Shen L, Gu Z, et al. Goji berry effects on macular characteristics and plasma antioxidant levels. Optom Vis Sci. 2011 Feb;88(2):257-62. doi: 10.1097/OPX.0b013e318205a18f.

Chen JR, Li EQ, Dai CQ, Yu B, et al. The inducible effect of LBP on maturation of dendritic cells and the related immune signaling pathways in hepatocellular carcinoma (HCC). Curr Drug Deliv. 2012 Jul;9(4):414-20.

Cui B, Liu S, Lin XJ, Wang J, et al. Effects of Lycium BarbarumAqueous and Ethanol Extracts on High-Fat-Diet Induced Oxidative Stress in Rat Liver Tissue. Molecules. 2011,16, 9116-9128; doi:10.3390/molecules16119116.

Jin M, Huang Q, Zhao K, Shang P. Biological activities and potential health benefit effects of polysaccharides isolated from Lyciumbarbarum L. Int J Biol Macromol. 2013 Mar;54:16-23. doi: 10.1016/j.ijbiomac.2012.11.023. Epub 2012 Nov 28.

Tang WM, Chan E, Kwok CY, et al. A review of the anticancer and immunomodulatory effects of Lycium barbarum fruit. Inflammopharmacology.  2012 Dec;20(6):307-14. doi: 10.1007/s10787-011-0107-3. Epub 2011 Dec 22.

Xiao JLiong ECChing YPChang RCSo KFFung MLTipoe GL. Lycium barbarum polysaccharides protect mice liver from carbon tetrachloride-induced oxidative stress and necroinflammation. J Ethnopharmacol. 2012 Jan 31;139(2):462-70. doi: 10.1016/j.jep.2011.11.033. Epub 2011 Nov 26.

Xiao JLiong ECChing YPChang RCFung MLXu AMSo KFTipoe GL. Lycium barbarum polysaccharides protect rat liver from non-alcoholic steatohepatitis-induced injury. Nutr Diabetes. 2013 Jul 22;3:e81. doi: 10.1038/nutd.2013.22.

Zhu CP, Zhang SH. Lycium barbarum polysaccharide inhibits the proliferation of HeLa cells by inducing apoptosis. J Sci Food Agric. 2012 Jun 13. doi: 10.1002/jsfa.5743.

 

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