Epifactor: Bioestimulação Epitelial no Tratamento de Feridas

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O que é o Epifactor®?Ampola

Desenvolvido pela Fagron Ibérica e fabricado na Espanha, o Epifactor® é um ativo de natureza proteica (EGF – Epidermal Growth Factor), produzido através de processo biotecnológico de fermentação, a fim de obter-se uma molécula tal qual a encontrada no organismo humano. Além disso, o ativo purificado e concentrado é estabilizado em uma mistura de azeites e envasado em ampola sob nitrogênio líquido, garantindo que a conformação molecular seja preservada, assegurando sua eficácia e alta performance.

O Epifactor®  é obtido através de técnicas de recombinação genética com Escherichia Coli ou outras bactérias permitiram dispor de EGF Epidérmico humano recombinante bioidêntico (EGF Heterólogo, recombinant Human Epidermal Growth Factor, rhEGF) em concentrações puras, precisas e estáveis.

Quais os efeitos do Epifactor®?

  • Estímulo de expressão gênica (up-regulation);
  • Proliferação de queratinócitos;
  • Estimulação da angiogênese;
  • Ativação dos fibroblastos;

Aumenta os níveis de colágeno e elastina, além de melhorar o processo de cicatrização e regeneração tecidual.

Quais indicações para o Epifactor®?

Possui eficácia comprovada para diversas aplicações, em que seja necessária uma rápida e efetiva recuperação, tais como:

  • Feridas agudas;
  • Queimaduras;
  • Feridas crônicas;
  • Pós-cirúrgico;
  • Prevenção de cicatrizes após cirurgias em geral, como implantes de silicones, cesarianas, entre outras.                          

Qual o mecanismo de ação do Epifactor®?

 Macanismo Epifactor

Fonte:Pharma Nostra

O mecanismo de ação do Epifactor® é simples:

A regeneração epidérmica é um processo complexo no qual células epiteliais residuais proliferam de forma integrada para regenerar a epiderme. Existem muitos fatores de crescimento conhecidos, mas o mais estudado é o fator de crescimento epidermal (EGF), um polipeptídio de 53 aminoácidos que estimula a síntese de RNAm, DNA e de proteínas de diversos tipos celulares. Além disso foi mostrado sua capacidade para estimular a divisão celular de queratinócitos in vitro e a regeneração epidermal in vivo, por consequência provavelmente é o fator de crescimento melhor caracterizado para a cura de ferida (BARRIENTOS et al.,2008, BROWN et al.,1989; WU et al.,2015).

Esses fatores se ligam ao receptor de EGF (EGFR), uma proteína trasmembranar da família da tirosina quinase. Estudos in vitro mostram que a ativação do EGFR possui uma importante função na repitelização por aumento da proliferação de queratinócitos e migração celular em feridas agudas (BARRIENTOS et al.,2008; BROWN et al.,1989; ROSE, 2012;CAUSSA & VILA, 2014).

O EGF foi uma das primeiras moléculas de sinalização isolados, e foi nomeado para a sua capacidade de acelerar a diferenciação epidérmica e abertura dos olhos em ratos recém-nascidos. Especificamente na epiderme, EGF é conhecido por contribuir para a cicatrização de feridas, regular a função de barreira, suprimir a diferenciação terminal, causar perda de aderência, induzir proteases secretadas (BLUMENBERG, 2013).

Após o EGF se ligar a seu receptor , forma-se um complexo ligante-receptor capaz de ativar a tirosina quinase, iniciando modificações  bioquímicas celulares sucessivas: aumentando o cálcio intracelular, a glicólise, a síntese de proteínas e a expressão de alguns genes ( como o próprio gene EGFR), levando a síntese de DNA, o crescimento e a proliferação celular derivados da proliferação dos queratinócitos, aumentando sua adesão e motilidade, enquanto induz a ação de duas fosfatases especificas que atenuam seu próprio sinal, inibindo assim atividade do EGF ( CAUSSA & VILA, 2014).

O EGF afeta fortemente a adesão celular e motilidade através da indução de adesão focal, membrana basal e integrina categorias de proteína de ligação. A adesão celular e a motilidade são processos complexos que requerem um grande conjunto de funções de proteínas coordenados; EGF afeta estes processos através da indução de certos genes, por exemplo, α-actinina, caderina 13, receptor de trombina, enquanto suprime outros, como os desmocolinas 1 e 2, desmogleínas 1, caderinas, etc (BLUMENBERG, 2013).

O vídeo abaixo demonstra como ocorre o processo de inflamação e cicatrização:

Em ensaios de quimiotaxia clássica baseada na migração transfilter, feito por Kong et al. (2011) concentrações de EGF entre 0,1 ng / mL e 100 ng / mL conduziram a aumentos significativos da migração de fibroblastos em relação aos controles. Em resumo, os resultados deste estudo mostraram que a quimiotaxia dos fibroblastos é altamente sensível a alterações de hora em EGF, exibindo sensibilidade quimiotáticos intrínsecas comparáveis à de células altamente móveis, tais como os macrófagos.

Em animais de laboratório, a aplicação de combinações de fatores de crescimento recombinantes produz um aumento da proliferação, migração celular e síntese de fibras de colágeno do tipo I em fibroblastos cutâneos, acelerando a cicatrização das feridas, aumentando a taxa de reepitelização e reduzindo o infiltrado inflamatório.

O Epifactor® pode ser usado feridas e queimaduras?

 O Epifactor® deve ser usado em feridas e queimaduras, vários casos clínicos demonstrados no site http://epitelizando.blogspot.com.br/ evidenciaram que os pacientes tratados com Epifactor®  apresentaram melhora significativa no processo de cicatrização.

Feridas e queimaduras consistem em descontinuidade na pele por traumatismos mecânicos ou químicos, que causam a ruptura da superfície cutânea ou mucosa, com possível perda de tecido cutâneo e tecidos subjacentes (CAUSSA & VILA, 2010).

A etiologia das feridas pode ser muito diversificada, desde a ação de agentes perfurantes, cortantes ou perfuro-cortantes, até os produzidos pela ação de agentes contundentes ou projéteis de arma de fogo. Em circunstâncias normais, as feridas simples (sem complicações) geralmente se curam espontaneamente, embora casos de infecção ou patologias de base possam atrasar a cicatrização ou mesmo ocasionar a cronicidade, levando a formação de úlceras cutâneas ou mucosas (CAUSSA & VILA, 2010).

As queimaduras são feridas traumáticas causadas, na maioria das vezes, por agentes térmicos, químicos, elétricos ou radioativos.  Atuam nos tecidos de revestimento do corpo humano, determinando destruição parcial ou total da pele e de seus anexos, podendo acometer camadas mais profundas como tecido celular subcutâneo, músculos, tendões e ossos (AZULAY et al., 2013).

O trauma tecidual é seguido por uma série de eventos que podem ser didaticamente divididos em três fases (inflamatória, formação tecidual e remodelação da ferida). Contudo, essas fases não são mutuamente excludentes, podendo haver superposições temporais (BARRIENTOS et al.,2008, CAUSSA & VILA, 2010).

A cicatrização de feridas é um processo complexo e que intriga a humanidade desde períodos muito remotos. Os avanços recentes da biotecnologia, aliados a uma oferta em larga escala de uma série de produtos pela indústria, têm tornado esse tema motivo de atenção crescente pela classe médica. A reparação representa uma interação entre mediadores solúveis, matriz extracelular e células do parênquima. As moléculas da matriz extracelular podem fornecer sinais para expressão genética por meio de receptores de integrinas, e a interação das células teciduais com a matriz pode alterar tanto o fenótipo quanto as funções celulares (AZULAY et al.,2013).

Alguns casos clínicos:

Caso 1:Paciente do sexo masculino, 57 anos de idade, perdeu 40% da orelha, apresentando uma importante exposição da cartilagem, devido à mordida de cachorro. Aplicou diariamente  Epifactor®, veiculado em gel. Em 39 dias, de uso do produto, apresentou reepitelização completa do local da lesão.

Fonte: Site epitelizando.com

Fonte: http://epitelizando.blogspot.com.br/

Caso 2: Mulher de 80 anos com histórico de diabetes mellitus tipo 2, apresenta ulcera de pressão(ulcera de decúbito) no calcanhar, com evolução de 4 meses e não responde satisfatoriamente aos tratamentos padrões. O tratamento teve duração de 5 semanas e foi utilizada uma ampola, veiculada a 30g de gel.

Fonte: Site epitelizando.com

Fonte: http://epitelizando.blogspot.com.br/

Caso 3: Mulher de 68 anos, que possui ulcera varicosa no interior da perna esquerda, com dois anos de evolução e não responde satisfatoriamente aos tratamentos padrões. O tratamento teve duração de oito semanas. Após o período a paciente apresentou um importante repitelização do local.

Fonte: Site epitelizando.com

Fonte:  http://epitelizando.blogspot.com.br/

Caso 4: Homem 72 anos de idade, com uma história de diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia , e doença pulmonar obstrutiva crônica com  amputação bilateral supracondilar apresenta cicatriz de  úlcera na amputação, mais de 2 anos de evolução, e não responde a tratamentos habituais. A diferença da foto da direita para a esquerda é de 30 dias.

Fonte: http://epitelizando.blogspot.com.br/

Fonte: http://epitelizando.blogspot.com.br/

Caso 5: Mulher de 86 anos com Alzheimer apresenta uma história de úlcera de pressão na área lombossacral, com 2 anos de evolução e não respondeu aos tratamentos convencionais. Ela foi tratada com Epifactor veiculado a gel a cada 24 horas. A diferença é de 5 meses entre a foto da esquerda e dereita.

Sem título 2

Fonte: http://epitelizando.blogspot.com.br/

 

O Epifactor® pode ser associado ?

Dada a versatilidade da manipulação magistral na composição de fórmulas com outras concentrações ou com a adição de outros princípios ativos,  existem outros ingredientes que podem ser incorporados, de acordo com as necessidades de cada paciente.

  • Tocoferol acetato (vit. E)
  • Óle de Girassol
  • Óleo de rosa mosqueta
  • Aloe vera
  • Ácido hialurônico
  • Antibióticos

 Importante:

  • O prescritor deve avaliar a área de aplicação e optar pela quantidade de base suficiente para aplicação em toda a lesão, lembrando que a formulação tem validade limitada em 60 dias.
  • A formulação com Epifactor® deve ser mantida sob refrigeração, por se tratar de um conteúdo proteico bioidêntico;
  • Mesmo sendo envasado em ampola não é indicado para a administração em injetável.
  • Epifactor® não deve ser associado à ureia e a substâncias proteolíticas como a papaína, a tripsina e a quimiotripsina.

Fórmulas: Clique aqui

Conforme a RDC23/2008, art. 36 – Para a divulgação de informações sobre medicamentos manipulados é facultado às farmácias o direito de fornecer, exclusivamente aos profissionais habilitados a prescrever.

Para acessar as fórmulas é necessário logar

Referências:

  1. Alys C. Dreux, David J. Lamb, Helmout Modjtahedi, Gordon A.A. Ferns. The epidermal growth factor receptors and their family of ligands:Their putative role in atherogenesis. Atherosclerosis 186 (2006) 38–53.
  2. Azulay, Rubem David; Azulay David Rubem; Azulay-Abufalia, Luna (2013). Livro Azulay Dermatologia 6ª edição. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan Ltda.
  3. Barrientos S, Stojadinovic O, Golinko MS, Brem H, Tomic-Canic M. Growth factors and cytokines in wound healing. Wound Repair Regen. 2008; 16:585–601.
  4. Blumenberg, Miroslav. Profiling and metaanalysis of epidermal keratinocytes responses to epidermal growth factor. BMC Genomics. 2013; 14: 85.
  5. Brown GL, Nanney LB, Griffen J, Cramer AB, Yancey JM, Curtsinger LJ 3rd, Holtzin L, Schultz GS, Jurkiewicz MJ, Lynch JB Enhancement of wound healing by topical treatment with epidermal growth factor. N Engl J Med. 1989 Jul 13; 321(2):76-9.
  6. Caussa Esquirol, Herrero Vila E. MD. Cicatrização de feridas, queimaduras e tratamento de cicatrizes: avaliação e papel terapêutico do Fator de Crescimento Epidérmico (EGF). Nutr. Food Res. 2010, 54, 1-10.
  7. Caussa, Jordi Esquirol y Vila, Elisabeth Herrero. Revisio´n Factor de crecimiento epidermico, innovacio´n y seguridade. Med Clin (Barc). 2014.
  8. COHEN S. Isolation of a mouse submaxillary gland protein accelerating incisor eruption and eyelid opening in the new-born animal. J Biol Chem. 1962 May;237:1555-62.
  9. Jost M1, Kari C, Rodeck U. The EGF receptor – an essential regulator of multiple epidermal functions. Eur J Dermatol. 2000 Oct-Nov;10(7):505-10.
  10. Kong Qingjun, Majeska Robert J. and Maribel Vazqueza. Migration of connective tissue-derived cells is mediated by ultra-low concentration gradient fields of EGF. Exp Cell Res. Author manuscript; available in PMC 2012 Jul 1.
  11. Rose MT. Effect of growth factors on the migration of equine oral and limb fibroblasts using an in vitro scratch assay.Vet J. 2012 Aug;193(2):539-44.
  12. Stoscheck M. Christa, Nanney B, Lillia and King, Jr Lloyd E. Quantitative determination of EGF-R during epidermal Wound Healing.The lournal of investigative dermatology Vol.99, n°5 november 1992.
  13. Tomic-Canic M1, Komine M, Freedberg IM, Blumenberg M. Epidermal signal transduction and transcription factor activation in activated keratinocytes. J Dermatol Sci. 1998 Jul;17(3):167-81.
  14. Tran QT1, Kennedy LH, Leon Carrion S, Bodreddigari S, Goodwin SB, Sutter CH, Sutter TR. EGFR regulation of epidermal barrier function. Physiol Genomics. 2012 Apr 15;44(8):455-69.
  15. Wu Z, Tang Y, Fang H, Su Z, Xu B, Lin Y, Zhang P, Wei X. Decellularized scaffolds containing hyaluronic acid and EGF for promoting the recovery of skin wounds. J Mater Sci Mater Med. 2015 Jan;26(1):5322.

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