Fotoproteção Oral – Tratamento adjuvante à Fotoproteção tópica

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A fotoproteção pode ser fornecida não só por bloqueadores da radiação UV, mas também por substâncias orais. Foram identificadas associações entre alimentos e câncer de pele, e substância orais que são foto protetoras em humanos. A radiação UV inibe a produção de ATP, causando uma crise energética, o que impede a imunidade ótima da pele e o reparo do DNA. Aumentar a produção de ATP com nicotinamida oral protege da imunossupressão causada pela radiação UV, aumenta o reparo do DNA e reduz a ocorrência de câncer de pele em humanos. As espécies reativas de oxigênio (ERO) também contribuem para o foto dano, mas pode-se proteger a pele com substâncias que possuem polifenóis em frutas, legumes, vinho, chá e alimentos que contém cafeína. Substâncias consumidas por via oral, seja por dieta ou por suplementos, pode influenciar as respostas cutâneas a radiação UV (CHEN et al., 2014).

Polypodium leucotomos

O câncer de pele está entre as principais malignidades humanas, com mais de 1 milhão de casos nos EUA. Vários processos patológicos são responsáveis pelo aumento da incidência de câncer em peles expostas a radiação UV. Algumas das respostas prejudiciais da radiação UV incluem, mas não estão limitados a: imunossupressão, que pode permitir que as células tumorais escapem da apoptose; inflamação e eritema, que produzem espécies reativas de oxigênio (ERO) que podem promover o crescimento tumoral e regula a expressão de COX-2 (ZATTRA et al., 2009). A proteína COX-2 participa ativamente nos processos de diferenciação celular e apoptose. Além disso, a inibição de COX-2 leva a supressão de crescimento de células epidérmicas (TRIPP et al., 2003).

A administração oral de extrato de Polypodium leucotomos (PL) induz mecanismos foto protetores pela redução da indução de formação de ERO e de radicais livres, o qual por sua vez, reduz a inflamação, foto dano e a foto toxicidade (GONZALEZ et al., 2007).

Um estudo realizado com camundongos suplementados com PL proporcionou os seguintes efeitos fotoprotetores: ativação de p53 e redução de inflamação aguda por inibição da enzima COX-2, aumento da remoção de dímero de pirimidina ciclobutano, e redução de danos oxidativos ao DNA (ZATTRA et al., 2009).

A radiação UV e a presença de Nevo melanocítico são fatores de risco para a ocorrência de melanoma esporádico (ME). Um total de 61 pacientes (25 com ME familiar e/ou múltiplo, 20 com ME e 16 com nevo displásico) foram submetidos a um estudo, com exposição a doses variadas de radiação UVB artificial, sem e após a administração oral de PL (1080mg/dia). O tratamento reduziu significativamente a sensibilidade a radiação UV em todos os pacientes (AQUILERA et al., 2013).

A erupção polimórfica a luz (EPL) é uma das fotodermatoses idiopáticas mais comuns. Um estudo realizado com 35 pacientes com EPL de longa data foi realizado para avaliar a eficácia da administração oral de PL. Para tal, a EPL foi induzida por luz artificial UVA e UVB após iniciado o tratamento oral com PL. Duas semanas depois foi realizada uma segunda fotoprovocação, com os pacientes ainda em uso de PL. Trinta pacientes desenvolveram lesões EPL na segunda repetição de radiação UVA. Destes, 18 responderam também ao UVB. Após o tratamento com PL, 9 (30%) e 5 (28%) dos pacientes, respectivamente, foram indiferentes a exposição repetida a UVA e UVB. Nos casos restantes, o número médio de irradiações UVA e UVB necessárias para provocar EPL aumentou significativamente 1,95-2,62 (P = 0,005) e 2,38-2,92 (P = 0,047), respectivamente. Assim, a administração de PL mostra-se benéfica para a prevenção de EPL (TANEW t al., 2012).

 

Vitaminas C, E e carotenóides

Antioxidantes endógenos estão diminuídos na pele e no sangue durante a exposição aso raios UV. Um estudo randomizado, controlado por placebo foi realizado em jovens voluntárias saudáveis do sexo feminino (fototipo II) investigou o efeito preventivo e fotoprotetor com a suplementação de uma combinação de antioxidantes, com carotenoides (beta-caroteno e licopeno), vitaminas C e E, selênio e proantocianidinas. O tratamento mostro-se bem tolerado. O parâmetro de eficácia primário com as metaloproteinases 1 (MMP-1) aumentou significativamente no grupo placebo, e diminuiu no grupo tratado, importante nos processos foto protetores. A combinação de antioxidantes pode alcançar uma proteção seletiva contra a radiação. Isso pode ser importante para futuras recomendações para a supressão imediata da fase inicial do eritema induzido por radiação UV, o que significa prevenção farmacológica de reação a queimadura solar, bem como posterior danos à pele crônica (GREUL et al., 2002).

A suplementação com beta caroteno e vitamina E foi avaliada quanto a redução dos marcadores do estresse oxidativo e eritema, em pele humana exposta a radiação UV.16 pessoas saudáveis fizeram a suplementação com alfa-tocoferol (n=8, 400UI/dia) ou beta caroteno (n=8, 15mg/dia) por 8 semanas. Foram tomadas amostras de biópsia antes e após a suplementação na pele exposta ou não a radiação UV. A pós a suplementação, a vitamina E mostrou-se biodisponível, com aumento da concentração na pele e plasmática. Já com o beta caroteno, houve aumento na concentração plasmática, mas não na pele. A suplementação mostrou redução significativa na concentração de malondialdeido na pele e na glutationa oxidada da pele (MC ARDLE et al., 2004).

Um estudo avaliou a suplementação com vitamina E (400mg/dia) em pacientes diagnosticados com EPL. Para tal, amostra de sangue foi coletada no primeiro dia de tratamento e, os mesmos foram orientados a utilizar também o foto protetor tópico. Outra amostra de sangue foi coletada 1 semana depois após 1 semana. Os níveis séricos de malondialdeído foram menores no grupo tratado, em comparação ao placebo. Houve uma diminuição significativa da atividade da superóxido dismutase (SOD), enquanto as atividades das enzimas catalase e glutationa foram maiores no grupo tratado. A vitamina E desempenhou um papel importante, quanto ao estresse oxidativo e a modulação diferencial de enzimas antioxidantes (AHMED et al., 2006).

Lactobacillus rhamnosus

Os probióticos são microrganismos vivos que quando administrados em quantidades adequadas conferem benefícios a saúde do hospedeiro. Moléculas presentes na superfície celular destes microrganismos estão sendo estudados quanto a sua capacidade de interagir com o hospedeiro. A parede celular dos lactobacillus possui ácido lipoteicóico que são moléculas com propriedades imunomoduladoras (WEILL et al., 2013).

Um estudo investigou se a administração oral de L. rhamnosus pode mudar o efeito imuno-supressor da radiação UV e no desenvolvimento de tumor de pele em ratos. Para isso, dois modelos de irradiação foram estudados: (1) um sistema de irradiação crônica consistindo em irradiações diárias durante 20 dias consecutivos, e (2) um cronograma de irradiação a longo prazo, irradiando os animais três vezes por semana, durante 34 semanas para o desenvolvimento do tumor. Os resultados mostraram que as células T do nódulo linfático inguinal de ratinhos tratados com o lactobacillus produziram níveis elevados de Interferon γ e no número de células T totais, auxiliares e citotóxicas, em comparação aos ratinhos não tratados. Além disso, foi observado um atraso significativo no aparecimento tumoral nos camundongos tratados. Foi encontrado também um aumento de IgA no intestino delgado, junto com um maior número de células dendríticas ativadas nos linfonodos mesentéricos. Estes resultados podem ser indicativos de um efeito direto da suplementação no intestino, que afetam o sistema imune e restauram a homeostase (WEILL et al., 2013).

Resumo do Texto

Polypodium leucotomos

Estudos Científicos

Resultados

Referências

Administração oral de Polypodium leucotomos (PL). Reduz a formação de Espécies Reativas de Oxigênio e radicais livres. Leva a uma redução da inflamação, fotodano e fototoxicidade. GONZALEZ et al., 2007.
Suplementação com PL em camundongos. Ativação de P53, inibição de COX2, aumento da remoção de dímero de pirimidina ciclobutano, e redução de danos oxidativos ao DNA. ZATTRA et al., 2009.
61 pacientes (25 com Melanoma Esporádico (ME) familiar e/ou múltiplo, 20 com ME e 16 com nevo displásico) foram submetidos a um estudo, com exposição a doses variadas de radiação UVB artificial e PL. O tratamento reduziu significativamente a sensibilidade a radiação UV em todos os pacientes. AQUILERA et al., 2013.
35 pacientes com Erupção Polimórfica a Luz, foram avaliados quanto a suplementação com PL. os pacientes foram submetidos a 2 sessões de exposição a luz artificial UVA e UVB. Após o tratamento, 9 (30%) e 5 (28%) dos pacientes, respectivamente, foram indiferentes a exposição repetida a UVA e UVB. Nos casos restantes, o número médio de irradiações UVA e UVB necessárias para provocar EPL aumentou significativamente 1,95-2,62 (P = 0,005) e 2,38-2,92 (P = 0,047), respectivamente. Assim, a administração de PL mostra-se benéfica para a prevenção de EPL. TANEW et al., 2012.

Vitaminas C, E e Carotenóides

Estudos Científicos

Resultados

Referências

Jovens voluntárias saudáveis, do sexo feminino, avaliou o efeito protetivo e fotoprotetor de uma combinação de antioxidantes (licopeno, betacaroteno, vit C e E). A metaloproteinase 1 (MMP-1) aumentou significativamente no grupo placebo, e diminuiu no grupo tratado, importante nos processos foto protetores. Mostrou prevenção a queimadura solar, bem como posterior danos à pele crônica. GREUL et al., 2002.
16 pessoas saudáveis fizeram a suplementação com alfa-tocoferol (n=8, 400UI/dia) ou beta caroteno (n=8, 15mg/dia) por 8 semanas. A vit E mostrou-se biodisponível, com aumento da concentração na pele e plasmática. Já com o beta caroteno, houve aumento na concentração plasmática, mas não na pele. A suplementação mostrou redução significativa na concentração de malondialdeido na pele e na glutationa oxidada da pele. MC ARDLE et al., 2004.
Suplementação com vit E (400mg/dia) em pacientes diagnosticados com Erupção Polimórfica a Luz. Houve uma diminuição significativa da atividade da superóxido dismutase (SOD), enquanto as atividades das enzimas catalase e glutationa foram maiores no grupo tratado. A vitamina E desempenhou um papel importante, quanto ao estresse oxidativo e a modulação diferencial de enzimas antioxidantes. AHMED et al., 2006.

 

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Referências:

Ahmed RS, Suke RV, Seth V, Jain A, et al. Impact of oral vitamin E supplementation on oxidative stress & lipid peroxidation in patients with polymorphous light eruption. Indian J Med Res. 2006 Jun;123(6):781-7.

Aquilera P, Carrera C, Puig-Butille JA, Badenas C, et al. Benefits of oral Polypodium leucotomos extract in MM high-risk patients. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2013 Sep;27(9):1095-100. doi: 10.1111/j.1468-3083.2012.04659.x. Epub 2012 Jul 31.

Chen AC, Damian DL, Halliday GM. Oral and systemic photoprotection. Photodermatol Photoimmunol Photomed. 2014 Apr;30(2-3):102-11. doi: 10.1111/phpp.12100. Epub 2014 Jan 12.

Gonzalez S, Alonso-Lebrero JL, Del Rio R, Jaen P. Polypodium leucotomos extract: a nutraceutical with photoprotective properties. Drugs Today (Barc) 2007;43:475–485.

Greul AK, Grundmann JU, Heinrich F, et al. Photoprotection of UV-irradiated human skin: an antioxidative combination of vitamins E and C, carotenoids, selenium and proanthocyanidins. Skin Pharmacol Appl Skin Physiol. 2002 Sep-Oct;15(5):307-15.

Mc Ardle F, Rhodes LE, Parslew RA, Close GL, Jack CL, Friedmann PS, Jackson MJ. Effects of oral vitamin E and beta-carotene supplementation on ultraviolet radiation-induced oxidative stress in human skin. Am J Clin Nutr. 2004 Nov;80(5):1270-5.

Tanew A, Radakovic S, Gonzalez S, Venturini M, Calzavara-Pinton P. Oral administration of a hydrophilic extract of Polypodium leucotomos for the prevention of polymorphic light eruption. J Am Acad Dermatol. 2012 Jan;66(1):52-62. Doi: 10.1016/j.jaad.2010.09.773. Epub 2011 Jun 22.

Tripp CS, Blomme EA, Chinn KS, Hardy MM, LaCelle P, Pentland AP. Epidermal COX-2 induction following ultraviolet irradiation: suggested mechanism for the role of COX-2 inhibition in photoprotection. J Invest Dermatol. 2003 Oct; 121(4):853-61.

Zattra A, Coleman C, Arad S, Helms E, Levine D, et al. Polypodium leucotomos extract decreases UV-induced Cox-2 expression and inflammation, enhances DNA repair, and decreases mutagenesis in hairless mice. Am J Pathol. 2009 Nov;175(5):1952-61. doi: 10.2353/ajpath.2009.090351. Epub 2009 Oct 1.

Weill FS, Cela EM, Paz ML, Ferrari AM, Leoni J, Maglio DH. Lipoteichoic acid from Lactobacillus rhamnosus GG as an oral photoprotective agent against UV-induced carcinogenesis. Br J Nutr. 2013 Feb;109(3):457-66. doi: 10.1017/S0007114512001225. Epub 2012 Jul 6.

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