Importante utilização da Crisina

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A crisina é um flavonóide natural presente em plantas, e em grandes quantidades estão presentes no mel e própolis. Além das atividades anticâncer, antioxidante e anti-inflamatório, a crisina tem sido reportada como um inibidor de aromatase (OLIVEIRA et al., 2012). A Aromatase é uma enzima que catalisa a conversão de androstenediona e testosterona em estrona e 17β-estradiol, respectivamente.

Um estudo verificou se a ingestão diária de mel e própolis, por 21 dias, contendo crisina, se seria capaz de alterar a concentração urinária de testosterona em homens voluntários. De fato, a inibição da aromatase pela crisina pode bloquear a conversão de androgênios em estrogênios com consequente aumento datestosterona, mensurada em amostras de urina dos voluntários (GAMBELUNGHE et al., 2003).

Estudo realizado em ratos avaliou o efeito da crisina no sistema reprodutivo destes animais. Foram avaliados substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico no tecido (TBARS) e os níveis de glutationa, atividade de enzimas antioxidantes (CAT, SOD e GSH-P), parâmetros de espermatozoides (mobilidade, concentração e taxa de espermatozoide anormal), peso do órgão reprodutivo (testículos, epidídimo, vesícula seminal e próstata) e níveis séricos de testosterona foram determinados. Os resultados indicaram que a crisina significativamente aumentou os níveis de CAT, SOD e GSH-P, mas não houve nenhuma mudança significativa na formação de TBARS. Além disso, houve aumento da mobilidade dos espermatozoides, concentração de espermas e níveis séricos de testosterona. Os autores concluíram que o tratamento com crisina pode afetar de forma positiva o sistema reprodutivo em ratos, e pode ser utilizado para o tratamento da infertilidade (CIFTCI et al., 2012).

 Crisina e Endometriose

Embora os ovários sejam a fonte primária de estrógeno no corpo, a produção local de estrógenos por outros tecidos tem demonstrado uma ocorrência de doença dependente de estrógenos, como o câncer de mama e endometriose. A endometriose uma desordem ginecológica, caracterizada pela presença de glândulas endometriais e estroma fora da cavidade uterina. A endometriose é uma doença dependente de estrógeno, que afeta aproximadamente 14% de toda a população de mulheres em idade reprodutiva, e 30-50% de mulheres inférteis (RICE, 2002). A produção local de estrógenos pelos implantes endometriais ectópicos em mulheres com endometriose pode explicar a falha no tratamento e a permanência de endometriose recalcitrante em mulheres na pós-menopausa. A inibição da produção local de estrogênio nas lesões endometrióticas, pela inibição da atividade da aromatase pode ter um papel no manejo da doença (EDMUNDS et al., 2005).

Um estudo avaliou a inibição da atividade da aromatase por uma interação direta com uma dieta de fitoestrógenos genisteina, daidzeina, crisina e naringenina, foram testados em ensaio de células de estroma endometrial. Além disso, foi testado o efeito dos componentes na atividade da aromatase nas culturas de células. A genisteina e daidzeina estavam inativos no ensaio com aromatase. Enquanto que a crisina e naringenina inibiram a atividade da aromatase. Ressaltando que a crisina pode ter uma ação favorável par o tratamento da endometriose (EDMUNDS et al., 2005).

Papel Neuroprotetor

Kandhare e colaboradores (2014) avaliaram o efeito neuroprotetor da crisina em experimento de modelo animal, em ratos do lesão medular. Os animais receberam placebo ou crisina (10, 20 ou 40mg/Kg peso) por 28 dias. O tratamento crônico com crisina (20 e 40mg) melhorou de forma significativa o limiar nociceptivo, a velocidade de condução dos nervos motor e sensorial. A diminuição da atividade da superóxido dismutase, redução da glutationa, e o fosfato inorgânico ligado à membrana, foram significativamente restaurados pelo tratamento com crisina. A lesão medular resultou em uma aumento significativo da peroxidase lipídica, óxido nítrico, fator de necrose tumoral alfa, interleucina-1β, enquanto que a expressão de Bcl-2 e caspase-3 foram significativamente reduzidas. Estas mudanças foram significativamente reduzidas com o tratamento com crisina (20 e 40mg/Kg). A crisina é um potente antioxidante, e mostrou uma ação importante na inibição da incidência de deficiências neurológicas causadas pela lesão medular.

Outro estudo avaliou o efeito antioxidante e neuroprotetor da crisina, quanto aos efeitos neurotóxicos causados pela acrilamida. A acrilamida é um polímero utilizado na indústria, e é uma substância tóxica, com conhecidos efeitos de degeneração neuronal central e periférica. O efeito na crisina na indução de toxicidade da acrilamida foram avaliados em testes in vivo e in vitro. Células PC12 foram expostas a crisina (0,5-5µM), e depois foram adicionadas acrilamida em concentração DL50, e avaliada a viabilidade das células. Já os estudos em ratos tratados com acrilamida (50mg/Kg por 11 dias) isolado ou em combinação com crisina (12,5, 25 e 50 mg/Kg), o índice de comportamento foi avaliado. Resultados: a acrilamida reduziu a viabilidade das células, e o pré-tratamento com crisina reduziu de forma significativa a citotoxicidade da acrilamida de maneira dependente do tempo e da dose. A redução dos efeitos neurotóxicos também foi reduzida nos ratos tratados com a crisina. Em conclusão, a crisina exibe um papel neuroprotetor importante, nos estudos in vitro e in vivo (MEHRI et al., 2014).

Papel hepatoprotetor

O metotrexato é um agente quimioprotetor usado para o tratamento de uma vasta gama de tumores e doenças auto-imunes. Entretanto, o seu uso clinico é limitado devido a hepatotoxicidade. Vários estudos confirmaram que o estresse oxidativo desempenha um papel importante na patogênese da lesão induzida pelo metotrexato em vários órgão, especialmente o fígado. Um estudo avaliou o efeito protetor da crisna contra o estresse oxidativo hepático induzido pelo metotrexato em ratos. Os resultados do trabalho mostraram que a crisina melhorou a hepatotoxicidade, por melhorar o estresse oxidativo, alterações histopatológicas e a apoptose nos ratos (ALI et al., 2014).

Outro trabalho também mostrou a ação hepatoprotetora da crisina quanto a toxicidade induzida pela d-galactosamina em ratos. A crisina mostrou uma redução nos marcadores de atividade enzimática hepática (aspartato aminotransferase, alanina aminotransferase, fosfatase alcalina e gama-glutamil-transpeptidase), comprovando sua ação hepatoprotetora e antioxidante (PUSHPAVALI et al., 2010).

 

Ação antioxidante

A nefrotoxicidade induzida pela cisplatina é uma das causas que limita seu uso nos vários tipos de câncer, e resulta em dano renal agudo através da geração de espécies reativas de oxigênio. Estudos realizados em ratos mostrou que o pré-tratamento com crisina atenuou significativamente o dano renal induzido pela cisplatina pela diminuição dos danos ao DNA e marcadores de toxicidade, como creatinina, peroxidação lipídica e atividade da xantina oxidase, acompanhado do aumento das enzimas antioxidantes (catalase, glutationa peroxidase, glutationa redutase e glutationa s-transferase). Os resultados de diminuição dos danos das células renal, também foram confirmados através de exames histológicos (SULTANA et al., 2012).

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Edmunds KM, Holloway AC, Crankshaw DJ, Agarwal SK, Foster WG. The effects of dietary phytoestrogens on aromatase activity in human endometrial stromal cells.Reprod Nutr Dev. 2005 Nov-Dec;45(6):709-20.

Gambelunghe C, Rossi R, Sommavilla M, Ferranti C, Ciculi C, Gizzi S. Effects of chrysin on urinary testosterone levels in human males.J Med Food. 2003 Winter;6(4):387-90.

Kandhare AD, Shivakumar V, Rajmane A, Ghosh P, Bodhankar SL. Evaluation of the neuroprotective effect of chrysin via modulation of endogenous biomarkers in a rat model of spinal cord injury.J Nat Med. 2014 Jul;68(3):586-603. doi: 10.1007/s11418-014-0840-1. Epub 2014 May 1.

Mehri S, karami HV, Hassani SV, Hosseinzadeh H. Chrysin reduced acrylamide-induced neurotoxicity in both in vitro and in vivo assessments. Iran Biomed J. 2014;18(2):101-6.

Oliveira GA, Ferraz ER, Souza AO, Lourenço RA, Oliveira DP, Dorta DJ. Evaluation of the mutagenic activity of chrysin, a flavonoid inhibitor of the aromatization process.J Toxicol Environ Health A. 2012;75(16-17):1000-11. doi: 10.1080/15287394.2012.696517.

Rice VA. Conventional medical therapies for endometriosis. Ann N Y Acad Sci 2002, 955:343–352.

Sultana S, Verma K, Khan R. Nephroprotective efficacy of chrysin against cisplatin-induced toxicity via attenuation of oxidative stress.J Pharm Pharmacol. 2012 Jun;64(6):872-81. doi: 10.1111/j.2042-7158.2012.01470.x. Epub 2012 Mar 22.

 

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