Nova associação para o tratamento e prevenção de doenças osteoarticulares

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A artrite é uma doença crônica que resulta da inflamação de 1 ou mais articulações. Geralmente resulta em uma desregulação das citocinas pró-inflamatórias (TGF, IL-1β), e enzimas pró-inflamatórias que mediam a produção de prostaglandinas (COX-2) e leucotrienos (lipoxigenase), junto com expressão de moléculas de adesão e metaloproteinases de matrix (GRUPTA et al., 2013).

As propriedades preventiva e terapêutica da Curcuma longa estão associadas às propriedades antioxidante, anti-inflamatória e anti-câncer. A Curcuma longa possui como principais componentes, três curcuminóides: curcumina (principal constituinte e responsável pela cor amarela da planta), demetoxicurcumina e bisdemetoxicurcumina (JURENKA, 2009). Pesquisas recentes tem mostrado que a curcumina regula a expressão de citocinas inflamatórias (TNF, IL-1), fatores de crescimento, receptores para os fatores de crescimento e enzimas (COX-2, LOX, MMP9, MAPK), moléculas de adesão (ELAM-1, ICAM-1, VCAM-1), proteínas relacionadas a apoptose e proteínas do ciclo celular. Devido a sua capacidade de atuar em vários alvos, a curcumina, é utilizada para o tratamento e prevenção de várias doenças, incluindo câncers, atrites, alergias, aterosclerose, doenças neurodegenerativas, desordem hepática, obesidade, diabetes, psoríase e doenças auto imunes (SHISHODIA, 2013; PARI et al., 2008).

Na Artrite Reumatóide, caracterizada por hiperplasia dos fibroblastos sinoviais, a Curcuma longa exerce um efeito anti-proliferativo dos fibroblastos, com indução de apoptose das células, com ativação proteolítica de caspase 3 e 9. Além disso, a curcumina diminui o nível de expressão de mRNA COX-2, sem causar mudanças em COX-1, o qual está relacionado à inibição de prostaglandinas E2 (PARK et al., 2007).

Um estudo duplo-cego, controlado por placebo, avaliou a utilização do extrato de Curcuma longa (CL). Um total de 120 pacientes com osteoartrite (AO) primária no joelho, foram divididos para receber placebo (400mg 2x ao dia) ou extrato de CL (500mg 2x ao dia) ou sulfato de glucosamina (750mg 2x ao dia) isolada ou em combinação com o extrato de CL, por 42 dias. Foi avaliada a diminuição da gravidade dos sintomas e da função do joelho, por testes VAS e WOMAC. A associação da glucosamina e extrato de CL, mostrou uma diminuição significativa dos sintomas da AO, acompanhado de melhora clínica e diminuição da utilização de medicamentos de resgate. O perfil de tolerabilidade e aceitabilidade foi bom, e os resultados mostram a segurança e a eficácia do extrato no tratamento da AO (MADHU et al., 2013).

Outro estudo realizado com 50 pacientes com osteoartrite avaliou a dose correspondente de 200mg de cúrcuma por dia. Os sinais e sintomas da osteoartrite foram avaliados com o uso de Scores WOMAC, indicador do nível de dor. A mobilidade foi medida através da performance na caminhada. Após 3 meses de tratamento, os score global WOMAC diminuiu em 58%; a distância percorrida passou de 76m para 332m. Em geral, estes resultados sugerem a eficácia do extrato no manejo da osteoartrite (BELCARO et al., 2010a). Em um estudo subsequente, a cúrcuma foi avaliada no tratamento a longo prazo (8 meses), envolvendo 100 pacientes com osteoartrite. Os pacientes foram divididos em 2 grupos, o controle e o tratado (1g/dia curcuma longa), por 8 meses. Os Scores WOMAC reduziram mais de 50%, considerando que o desempenho de caminhada na esteira quase triplicou. Os biomarcadores de inflamação do soro como IL-1β, IL-6 e ligante CD40, molécula de adesão vascular-1, e a taxa de sedimentação de eritrócitos também foram significativamente menor no grupo tratado. Além disso, houve diminuição marcada das complicações gastrointestinais, edema distal, e uso de AINS pelos pacientes, durante o tratamento. A necessidade de hospitalização e consultas, diminuíram após o tratamento. Os autores do estudo concluem que o fitoterápico pode ser uma boa alternativa na terapia da AO (BELCARO et al., 2010b).

Curcuma longa X AINEs

Os antiinflamatórios não-esteroidais (AINEs) é uma das medicações mais comumente utilizadas para o tratamento de osteoartrite no joelho, pois possuem atividades anti-inflamatórias e analgésica, pela inibição da síntese de prostaglandinas via COX-1 e COX-2. O problema do uso prolongado de AINEs são os efeitos adversos, rim, fígado e sitema gastrointestinal. Muitos estudos tem defendido a combinação terapêutica com aumento da eficácia e segurança e menos efeitos adversos comparado a monoterapia (PINSORNSAK et al., 2012).

Um estudo avaliou a eficácia da curcumina como uma terapia coadjuvante à terapia com diclofenaco de sódio, na osteoartrite primária no joelho. 44 pacients receberam diclofenaco (75mg/d) com placebo, e outros 44 pacientes receberam diclofenaco (75mg/dia) com 1000mg/dia de curcuma longa, por 3 meses. Os resultados mostraram uma tendência da associação ser melhor quanto a dor e função física na rotina diária, mas os resultados não foram estatisticamente diferentes nos grupos (PINSORNSAK et al., 2012).

Foi investigada a habilidade do curcuminoide, derivado da Curcuma domestica, em reduzir a secreção de COX-2 de monócitos no fluido sinovial em pacientes com osteoartrite no joelho, comparado com o diclofenaco de sódio. Os 80 pacientes foram divididos em 2 grupos, o primeiro recebeu 30mg, 3 vezes ao dia de curcumoide, e o segundo 25mg 3 vezes ao dia de diclofenaco de sódio. Foram retiradas amostras do liquido sinovial do joelho dos pacientes, antes e após 4 semanas de tratamento, e avaliado a secreção de COX-2. Houve uma redução de 0,7±0,51 da secreção de COX-2 com o fitoterápico, e de 0,67±0,45 no grupo tratado com o fármaco. Os resultados mostram uma ação da cúrcuma comparável à do diclofenaco de sódio em reduzir a secreção de COX-2 (KERTIA et al., 2012).

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Belcaro G, Cesarone MR, Dugall M, Pellegrini L, Ledda A, Grossi MG, et al. Product-evaluation registry of Meriva(R), a curcumin-phosphatidylcholine complex, for the complementary management of osteoarthritis. Panminerva Med. 2010a;52(2 Suppl 1):55–62.

Belcaro G, Cesarone MR, Dugall M, Pellegrini L, Ledda A, Grossi MG, et al. Efficacy and safety of Meriva(R), a curcumin-phosphatidylcholine complex, during extended administration in osteoarthritis patients. Altern Med Rev. 2010b;15(4):337–344.

Grupta SC, Patchva S, Aqqarwal BB. Therapeutic roles of curcumin: lessons learned from clinical trials.AAPS J. 2013 Jan;15(1):195-218. doi: 10.1208/s12248-012-9432-8. Epub 2012 Nov 10.

Jurenka JS. Anti-inflammatory properties of curcumin, a major constituent of Curcuma longa: a review of preclinical and clinical research.Altern Med Rev. 2009 Jun;14(2):141-53.

Kertia N, Asdie EH, Rochmah W, Marsetyawan. Ability of curcuminoid compared to diclofenac sodium in reducing the secretion of cycloxygenase-2 enzyme by synovial fluid’s monocytes of patients with osteoarthritis.Acta Med Indones. 2012 Apr;44(2):105-13.

Madhu K, Chanda K, Saji MJ. Safety and efficacy of Curcuma longa extract in the treatment of painful knee osteoarthritis: a randomized placebo-controlled trial.Inflammopharmacology. 2013 Apr;21(2):129-36. doi: 10.1007/s10787-012-0163-3. Epub 2012 Dec 16.

Pari L, Tewas D, Eckel J. Role of curcuminin health and desease. Arch Physiol Biochem. 2008 Apr;114(2):127-49. doi: 10.1080/13813450802033958 .

Park C, Moon DO, Choi IW, Nam TJ, Rhu CH, et al. Curcumin induces apoptosis and inhibits prostaglandin E(2) production in synovial fibroblasts of patients with rheumatoid arthritis.Int J Mol Med. 2007 Sep;20(3):365-72.

Pinsornsak P, Niempooq S. The efficacy of Curcuma Longa L. extract as an adjuvant therapy in primary knee osteoarthritis: a randomized control trial.J Med Assoc Thai. 2012 Jan;95 Suppl 1:S51-8.

Shishodia S. Molecular mechanisms of curcumin action: gene expression.Biofactors. 2013 Jan-Feb;39(1):37-55. doi: 10.1002/biof.1041. Epub 2012 Sep 20.

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