INDICAÇÕES PARA O ÔMEGA 3

BENEFÍCIOS DO ÔMEGA 3

Os ácidos graxos poliinsaturados do Omega-3 são conhecidos por aliviar a rigidez e a dor em pacientes com artrite reumatóide embora, os mecanismos através dos quais estes exercem os seus efeitos benéficos não tenha sido completamente explorada. Uma nova classe de mediadores lipídicos bioativos, que são enzimaticamente biosintetisadas in vivo a partir ômega-3, o ácido eicosapentanóico (EPA) e docosahexanóico (DHA), podem exercer ações anti-inflamatórias e são mais potentes do que os seus precursores (LEE, et al., 2012).

Vários estudos evidenciaram importantes propriedades imunomoduladoras anti-inflamatórias do ômega 3 polinsaturado de cadeia longa. Esta avaliação ilustra o conhecimento atual sobre sua eficácia na prevenção e / ou tratamento de várias condições inflamatórias crônicas (doenças inflamatórias do intestino e artrite reumatoide), bem como os seus potenciais benefícios em doenças neurodegenerativas (LORENTE-CEBRIÁN et al., 2015).

Uma grande quantidade de estudos utilizando espécies de roedores demonstraram que o óleo de peixe na dieta reduz as respostas pró-inflamatórias, em parte, por diminuição da capacidade proliferativa das células T em resposta a estímulos miogênicos e estimulação antigénica.

Mediadores pró-resolução especializados (protectinas, resolvinas e maresinas) são gerados a partir de ácidos graxos do ômega-3, através de várias reações enzimáticas. Estes mediadores contra regulam a inflamação eosinofílica das vias aéreas e promove a resolução da inflamação in vivo (MIYATA et al., 2015).

Também destaca-se que a formação destes mediadores pode ser aumentada através da utilização de medicamentos anti-inflamatórios e cardioprotetores (aspirina e estatinas), mecanismo que se da através da modificação da atividade enzimática da ciclo-oxigenase-2 (COX-2). Estes bioativos mediadores lipídicos fornecem uma lógica adicional para os efeitos benéficos da suplementação da dieta com óleo de peixe, e oferecem novos caminhos para o desenvolvimento de terapêuticas para condições inflamatórias, tais como a artrite reumatóide (NORLING et al, 2013). Estudos mostram, que pacientes com artrite reumatóide tratados com uma dose diária >2,7g por mais de três meses, reduziram o consumo de fármacos antiinflamatórios não-esteroidais e tenderam a melhorar o inchaço das articulações e a função física, comparado ao placebo (LEE, et al., 2012).

O Omega 3 (ω-3 ) apresentou um papel importante no ajuste do perfil lipídico, em um estudo fixo com 201 crianças e adolescentes obesos, com resistência a insulina. Estes pacientes foram divididos em dois grupos, o primeiro recebeu 500mg de Metformina, e o segundo 1,8g de ω-3, ambos fizeram o tratamento por 12 semanas. O tratamento para os dois grupos foi bem tolerado. No que diz respeito ao perfil de resistência a insulina, no fim da intervenção, os resultados mostram que o ω-3 reduziu significativamente as concentrações de glicose e insulina, enquanto isso, os níveis de insulina dos pacientes que utilizaram Metformina foram insignificativamente afetados. Quanto aos lípidos, a Metformina aumentou os níveis da lipoproteína de alta densidade (HDL-C) e diminuiu os níveis da lipoproteína de baixa densidade (LDL-C), mas triglicerideos não foram afetados, em contraste, os triglicérides foram reduzidos significativamente por ω-3. Os efeitos sobre o Indice de Massa Corpórea foram marginais sob a Metformina, mas significativos com o ω-3. Assim, os resultados do trabalho sugerem que o ω-3 pode ser um adjuvante na terapia de crianças e adolescentes obesos com resistência a insulina (JUÁREZ-LÓPEZ, et al., 2013).

Os ácidos graxos de ω-3, também, possuem ação na redução da esteatose hepática e proteção do fígado de lesões de isquemia de reperfusão em ratos. É o que mostra um estudo realizado em ratos com esteatose induzida, que receberam tratamento com ω-3 ou solução salina por duas semanas. Os resultados mostram que o ω-3 reduziu efetivamente a esteatose severa, associado a uma melhora na regeneração do fígado e recuperação funcional após hepatectomia parcial, podendo este ser um inportante coadjuvante no tratamento de esteatose em humanos (MARSMAN, et al., 2013).

Um recente trabalho avaliou a supressão de esteatose aguda induzida por álcool, em ratos tratados com DHA (250mg/Kg) em 3 administrações com intervalos de 12h, com ou sem gavagem oral de etanol ( 4,7g/Kg) diluído em água (60%, v/v). Comparado com o controle, o grupo que recebeu DHA foi protegido da acumulação de triglicerídeos no fígado induzida pelo álcool (através da regulação de biossíntese de TG pelo fígado). Conforme significativa redução da expressão hepática da Estearil – CoA desnaturase-1, da atividade da Alanina aminotransferase, e dos níveis de citocinas inflamatórias (como IL-6 e TNF-α), enquanto que a expressão da Heme oxigenase-1, enzima que melhora a sobrevida celular do tecido hepático, foi marcadamente aumentada com a suplementação com DHA nos ratos, comparado ao grupo controle. Não houve diferença nos níveis de TG no soro e na produção hepática de espécies reativas de oxigênio (ROS) entre os dois grupos. Os resultados mostram, então, que a suplementação com DHA leva a uma proteção hepática contra a esteatose hepática aguda induzida por álcool (HUANG, et al., 2013).

As resolvinas (termo relacionado aos produtos formados na fase de resolução) foram primeiramente descritas para indicar a formação de moléculas mediadoras com capacidade anti-inflamatória e com propriedades imunomodulatórias, incluindo a redução de migração dos neutrófilos e citocinas pró-inflamatórias quanto diminuindo a resposta inflamatória in vivo. A designação de protectina ou neuroprotectina (quando formada no tecido nervoso) foi dada inicialmente em relação ao efeito anti-inflamatório dos mediadores resultantes de DHA nos sistemas neuronais, na doença de Alzheimer e no infarto. Em Macrófagos as resolvinas promovem fagocitose de Neutrófilos (clearence de neutrófilos apoptóticos) e promove a migração de Macrófagos de locais inflamados para os órgãos linfáticos. Em células dendríticas inibem a indução de TNF-α e NF κβ e a liberação de IL-6 e IL-2 (MARCHESELLI et al., 2003; BARBALHO et al., 2011).

Esclarecimentos adicionais sobre os mecanismos pelos quais o Ômega 3 na dieta inibe respostas inflamatórias foi fornecida pela identificação de vários receptores nucleares, por exemplo, os receptores ativados por proliferador de peroxissoma (PPAR), que são ativados em concentrações micromolares de EPA e ADH, que curiosamente podem inibir repostas inflamatórias mediadas por NF ĸB (KLIEWER et al.,1997; PASCUAL et al., 2005; CHAPKIN et al., 2009).

Figura 11:Modelo molecular proposto por que EPA e DHA modular a função imune celular e inflamação (Retirado de CHAPKINA et al.,2009).

Figura 11:Modelo molecular proposto por que EPA e DHA modular a função imune celular e inflamação

    Fonte: CHAPKINA et al.,2009

  • Abaixo alguns  estudos resumidos envolvendo a utilização de Ômega 3 em atividades anti-inflamatória:

Estudo

Resultado

Referências

Um estudo resolveu testar as hipóteses de que o ômega 3 reduz fatores pro- inflamatórios in vitro: com cultura de celular e in vivo: Com ratos de 6 semanas durante 30 dias. Os resultados suportam a noção de que a suplementação de óleo de peixe na dieta pode aumentar a resistência ao ataque de radicais livres e também que os ácidos gordos do ômega 3 podem ser suplementos dietéticos eficazes na gestão de várias doenças em que o equilíbrio oxidante / antioxidante é perturbado, como em uma neuroinflamação.

MIYATA et al., 2015

Um estudo in vitro foi realizado para avaliar os efeitos de EPA e DHA na modulação da IL – 6 e TNF – α em macrófagos tratados com lipopolissacáridos (LPS).

 

A secreção de IL – 6 foi atenuada em células tratadas com DHA comparado com células não tratadas, enquanto células tratadas com EPA secretaram significativamente menos TNF – α comparado com o controle e as células tratadas com o DHA.

 

MULLEN et al., 2010

Realizou-se uma revisão de artigos que avaliaram a capacidade anti-inflamatória de ômega-3 em síndromes metabólicas e cardiovasculares. Algum dos resultados encontrados:

  • DHA isoladamente ou em combinação exerce um potente efeito anti-inflamatório, diminuindo o fator de necrose tumoral-α (TNF – α).
  • EPA diminuí significativamente de IL – 6 e inibi ativação de NF-κB.
  • Ambos os ácidos diminuem também significativamente a expressão de IL-1.

TORTOSA-CAPARRÓS et al.,2016

Cinquenta e quatro pacientes em manutenção de hemodiálise foram randomizados para ingerir ômega 3 (cada um contendo 180 mg de ácido eicosapentaenoico e ácido docosahexaenóico 120 mg) ou placebo em cápsulas, três vezes por dia durante 4 meses. O nível de IL-6 e IL-10 mostrou mudanças significativas em favor do ômega 3, foi um preditor significativo da redução da PCR no soro, ferritina, e os níveis de iPTH além de aumento de IL-10 a relação de IL-6.

GHAREKHANI et al., 2014

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Conforme a RDC23/2008, art. 36 – Para a divulgação de informações sobre medicamentos manipulados é facultado às farmácias o direito de fornecer, exclusivamente aos profissionais habilitados a prescrever.

REFERÊNCIAS:

Barbalho SM, Bechara MD, Quesada KR, Goulart RA. Papel dos ácidos graxos ômega 3 na resolução dos processos inflamatórios Medicina (Ribeirão Preto) 2011;44(3): 234-40.

Barbalho SM, Goulart RA, Quesada KR, Bechara DM and Carvalho ACA. Inflammatory bowel disease: can omega-3 fatty acids really help?. Ann Gastroenterol. 2016 Jan-Mar; 29(1): 37–43.

Chapkin Robert S,b, Wooki Kima,b, Joanne R. Luptona,b, and David N. McMurraya. Dietary docosahexaenoic and eicosapentaenoic acid: Emerging mediators of inflammation. Prostaglandins Leukot Essent Fatty Acids. 2009 ; 81(2-3): 187–191.

Huang LL, et al. Suppression of acute ethanol-induced hepatic steatosis by docosahexaenoic acid is associated with downregulation of stearoyl-CoA desaturase 1 and inflammatory cytokines. Prostaglandins Leukot Essent Fatty Acids. 2013 Mar 6. pii: S0952-3278(13)00043-4. doi: 10.1016/j.plefa.2013.02.002.

 

Juárez-López C, et al. Omega-3 polyunsaturated fatty acids reduce insulin resistance and triglycerides in obese children and adolescents. Pediatr Diabetes. 2013 Feb 25. doi: 10.1111/pedi.12024.

Lee YH, et al. Omega-3 polyunsaturated fatty acids and the treatment of rheumatoid arthritis: a meta-analysis. Arch Med Res. 2012 Jul;43(5):356-62. doi: 10.1016/j.arcmed.2012.06.011. Epub 2012 Jul 24.

 

Marsman HA, et al. Hepatic regeneration and functional recovery following partial liver resection in an experimental model of hepatic steatosis treated with omega-3 fatty acids. Br J Surg. 2013 Apr;100(5):674-83. doi: 10.1002/bjs.9059.

 

Norling LV, et al. The role of omega-3 derived resolvins in arthritis. Curr Opin Pharmacol. 2013 Feb 21. pii: S1471-4892(13)00018-0. doi: 10.1016/j.coph.2013.02.003.

Algumas referências citadas acima estão artigo Anti-inflamatórios naturais (Acesse aqui)

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