Tratamentos dermatológicos seguros durante a gestação

O tratamento medicamentoso de uma paciente grávida requer um cuidado especial na escolha dos ativos a serem utilizados, sua dosagem e administração. O risco teratogênico e o benefício terapêutico devem ser cuidadosamente ponderados para a mãe e, eventualmente, também para a criança (HAUTARZT, 2010).

Os médicos são geralmente relutantes em prescrever medicamentos dermatológicos para mulheres grávidas ou amamentando, pois o tratamento é muitas vezes eletivo e pode ser prejudicial ao paciente, feto ou lactente. No entanto, alguns medicamentos dermatológicos eficazes foram determinados como seguros durante a gravidez e a lactação (LEACHMAN; REED, 2006).

Um estudo investigou as opções de tratamento para algumas doenças dermatológicas comuns durante gravidez. O tratamento tópico é preferencial no tratamento da acne ao longo da gestação. A clindamicina e peróxido de benzoíla tópica são considerados seguros. O uso da tretinoína tópica não é aconselhável devido a relatos de casos de malformações congênitas em recém-nascidos cujas mães usaram tretinoína durante o primeiro trimestre da gravidez. A utilização de adapaleno e tazaroteno também não é recomendada. A isotretinoína oral é um teratogênico conhecido, no entanto, é seguro que as mulheres engravidem um mês após esta medicação ser interrompida. (ZIP, 2006).

Metronidazol tópico é minimamente absorvido e considerado seguro durante a gravidez. Ácido azeláico tópico também tem pequena absorção e é considerado seguro na gravidez. As tetraciclinas estão associadas com a coloração de dente decídua quando feita após o primeiro trimestre, diminuição do crescimento ósseo e toxicidade hepática materna. Contudo, é extremamente improvável que seja prejudicial a exposição acidental nas primeiras semanas de gravidez. A eritromicina tópica tem sido apontada como segura durante a gestação. Apesar disso, dois estudos suecos recentes relataram um aumento do risco de malformações cardiovasculares com o uso de eritromicina oral, no início da gravidez (ZIP, 2006).

 

Quadro 1– Tratamentos seguros para doenças dermatológicas durante a gravidez.

Doença Nome da medicação
Acne Clindamicina tópica, eritromicina, peróxido de benzoílo
Rosácea Metronidazol, ácido azeláico
Psoríase Corticosteróides tópicos, calcipotriol, ampla banda UVB
Dermatite Corticosteróides tópicos, difenidramina ou clorfeniramina
Infecção genital pelo papilomavírus humano (HPV) Ácido tricloroacético, nitrogênio líquido
Infecção pelo vírus herpes simples Aciclovir
Infecções fúngícas Antifúngicos tópicos
Infecções bacterianas Penicilina, cefalosporina após primeiro trimestre, azitromicina

FONTE: ZIP (2006, não paginado)

Tratamento da acne vulgaris

A acne é um problema comum encontrado por mulheres grávidas e lactantes. Infelizmente, na prática clínica, o tratamento é muitas vezes não otimizado, como resultado da falta de dados de segurança e recomendações unificados sobre a utilização das várias terapias anti-acne. Um estudo propõe que o uso de medicamentos tópicos é o mais recomendado como tratamento de primeira linha em gestantes e lactantes. Estes incluem antibióticos (eritromicina, clindamicina, metronidazole e dapsona), ácido azelaico e ácido salicílico (KONG; TEY, 2013). O peróxido de benzoíla é seguro para utilização em mulheres grávidas e em lactação, pois é degradado em ácido benzóico (WORRET; FLUHR, 2006). Agentes orais (macrólidos orais, como a eritromicina e azitromicina, cefalexina ou compostos de zinco) e/ou terapia a laser podem ser considerados como tratamentos de segunda linha. A terapia constituída pela tetraciclina, cotrimoxazol e fluoroquinolonas e retinóides oral e tópica, deve ser evitadas (KONG; TEY, 2013).

 

Tratamento da rosácea fulminante

Rosácea fulminante é uma doença rara, com preponderância do sexo feminino e de etiologia desconhecida, caracterizada pelo início abrupto de pápulas, pústulas e eritema que afetam a face. Corticosteróides e isotretinoína são considerados os dois principais agentes terapêuticos (LEWIS et al., 2004). Ferahbas e colaboradores (2006) apontam em estudo o caso de uma gestante de 31 anos que apresentou rosácea fulminante durante o primeiro trimestre de sua segunda gravidez. Ela teve múltiplas pápulas eritematosas, pústulas, nódulos, cistos e corrimento purulento no rosto. Abordagens terapêuticas convencionais com corticosteróides sistêmicos foram utilizadas obtendo nítida melhora no período de dois meses e, posteriormente, apenas 0,75% metronidazol creme tópico foi administrado durante o segundo trimestre.

Tratamento da psoríase

Os corticosteróides tópicos e calcipotriol tópica parecem ser escolhas seguras para o controle, na gravidez, da psoríase localizada. UVB é mais seguro para o tratamento de psoríase extensa durante a gestação, particularmente quando a aplicação tópica de outros agentes não é prática (TAUSCHER et al., 2002). Metotrexato e acitretina são contraindicados durante a gestação. O metotrexato pode ser usado em mulheres com idade fértil que estão usando métodos contraceptivos eficazes. Entretanto, a gravidez deve ser evitada durante, pelo menos, um ciclo ovulatório após esta medicação ser interrompida. A acitretina não deve ser prescrita para mulheres em idade fértil (ZIP, 2006).

Todos os retinóides, tanto tópico e oral, são contraindicados durante a gravidez, devido à teratogenicidade, especialmente no primeiro trimestre. Um período de pelo menos dois anos entre a interrupção do retinóides orais e a gravidez é recomendado para anular os efeitos teratogênicos. Mulheres que pensam em ficar grávida ou com risco de engravidar devem estar conscientes sobre os riscos antes de iniciar o tratamento (WEATHERHEAD; ROBSON; REYNOLDS, 2007).

 

Tratamento da dermatite

A dermatite atópica (DA), também conhecida como eczema, é uma das doenças de pele mais frequentemente observadas em pacientes grávidas. O gerenciamento da dermatite durante a gravidez requer cuidados especiais para evitar prejudicar o feto (BABALOLA; STROBER, 2013).

Em alguns estudos, a exposição à corticosteróides sistêmicos no primeiro trimestre tem sido associada com o retardo de crescimento intra-uterino e um pequeno aumento na incidência de lábio leporino com ou sem palato fendido. No entanto, quando necessário, os benefícios maternos do uso de curta duração de corticosteróides orais parecem superar os riscos ao feto, especialmente quando utilizados após o primeiro trimestre (ZIP, 2006).

Os inibidores da calcineurina tópicos, tacrolimus e pinecrolimus são ativos cujo risco não pode ser descartado. O uso de tacrolimus oral em pacientes grávidas receptores de órgãos transplantados não foi associado com a perda do feto ou teratogenicidade até agora. O pinecrolimus não mostrou nenhuma evidência de teratogenicidade em estudos realizados com animais. Até o momento, não houveram relatos de efeitos adversos sobre a gravidez com o uso tópico de tacrolimus ou pimecrolimus (ZIP, 2006).

A clorfeniramina e difenidramina foram consideradas opções de antihistamínicos para uso oral e parenteral, respectivamente, durante a gravidez, apesar de um estudo caso-controle ter apresentado uma associação entre o uso de difenidramina no primeiro trimestre e fenda palatina. Antihistamínicos, em geral, têm sido associados a fibroplasia retrolental em prematuros quando tomado nas últimas 2 semanas de gravidez (ZIP, 2006).

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Conforme a RDC23/2008, art. 36 – Para a divulgação de informações sobre medicamentos manipulados é facultado às farmácias o direito de fornecer, exclusivamente aos profissionais habilitados a prescrever.

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REFERÊNCIAS:

BABALOLA, O.; STROBER, B.E. Treatment of atopic dermatitis in pregnancy. Dermatol Ther. 2013 Jul;26(4):293-301. doi: 10.1111/dth.12074.

FERAHBAS, A. et al. Rosacea fulminans in pregnancy: case report and review of the literature. Am J Clin Dermatol. 2006;7(2):141-4.

HAUTARZT. [Dermatologic therapy in pregnancy]. 2010 Dec;61(12):1046-51. doi: 10.1007/s00105-010-2006-8.

KONG, Y.L.; TEY, H.L. Treatment of acne vulgaris during pregnancy and lactation. Drugs. 2013 Jun;73(8):779-87. doi: 10.1007/s40265-013-0060-0.

LEACHMAN, S.A.; REED, B.R. The use of dermatologic drugs in pregnancy and lactation. Dermatol Clin. 2006 Apr;24(2):167-97, vi.

LEWIS, V.J. et al. Rosacea fulminans in pregnancy. Br J Dermatol. 2004 Oct;151(4):917-9.

TAUSCHER, A.E. et al. Psoriasis and pregnancy. J Cutan Med Surg. 2002 Nov-Dec;6(6):561-70. Epub 2002 Oct 9.]

WEATHERHEAD, S.; ROBSON, S.C.; REYNOLDS, N.J. Management of psoriasis in pregnancy. BMJ. 2007 Jun 9;334(7605):1218-20.

WORRET, W.I.; FLUHR, J.W. [Acne therapy with topical benzoyl peroxide, antibiotics and azelaic acid]. [Article in German]. J Dtsch Dermatol Ges. 2006 Apr;4(4):293-300.

ZIP, C. A practical guide to dermatological drug use in pregnancy. Skin Therapy Lett. 2006 May;11(4):1-4.

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